segunda-feira, 28 de junho de 2010

TOPÓNIMOS

A toponímia foi matéria que sempre me interessou e cada vez mais... Ontem, por exemplo, a caminho de Alfama, ao passar na R. do Paraíso, a primeira questão que me coloquei foi a razão deste nome, pois, por certo, que esse nome tanto teria a ver com o bem estar dos seus moradores, como o teria o da Travessa do Meio (de quê?...) ou o da Calçada do Cascão, por exemplo, ambas ali ao lado...
Procurando a razão desses nomes, apurei, afinal, através de um excelente serviço que a C.M.L. disponibiliza on line, que a R. do Paraíso deve o seu nome ao facto de ali ter existido "uma pequena ermida que resistiu ao terramoto, a Ermida de Nª Sr.ª do Paraíso, que conforme afirma o olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas «Peregrinações em Lisboa» (vol. VIII, pp. 79): « já existira em Santos-O-Velho, foi erguida neste sítio em 1562, por mercê de um cavaleiro da Ordem de S. Tiago, Diogo Pereira, com a condição de que em tempo algum pudesse sair da Irmandade o domínio da Ermida. Serviu de sede paroquial de Santa Engrácia desde 1630, e, depois de 1755, continuou a dar albergue àquela paroquial até que esta foi transferida para a Igreja do Convento dos Barbadinhos (1835)»." ... e fiquei muito mais descansada!
Porém, não encontrei explicação para o facto de a Travessa do Meio assim se chamar, arruamento, de resto, "condecorado" como sendo "Rua Mais Florida", do que não vi rastro, por isso também motivo não tendo encontrado...

Já no que se refere à Calçada do Cascão, cujo nome, embora me remetesse de imediato para a personagem homónima, da "Turma da Mónica", que não primava pela limpeza, vim a confirmar estar relacionado com o de outro "alguém" mais real
"Álvaro de Avelar residia e possuía nesta rua várias casas que foram herdadas por sua filha Inês Ferreira. Esta, por ter sido sempre solteira fez herdeira a sua irmã, Violante de Aguiar, que tinha já casado com o tratador de mercadorias João de Cascão, aquele que originou o nome da artéria que, em 1625, já se denominava Rua de João de Cascão. A partir de 1831 e até à 2ª metade do século XIX passou a ser a Travessa de João de Cascão e só mais tarde, Calçada."

Porém, não se esqueceu um qualquer Cascão de deixar por ali a sua marca

que já teria sido lavada, provavelmente, se as lavadeiras ainda por ali pernoitassem...
"...até fins do séc. XIX, esteve instalada no n.º 9 a estalagem do Mascato, destinada às lavadeiras que vinham à cidade com as suas carroças e machos. Cerca de 1800, funcionava no n.º 15 um Centro Republicano. E nas casas que foram de Álvaro de Avelar, instalou-se a partir de 1854 uma fábrica botões (a Fábrica Schalck), razão para que os moradores a designassem no início do século XX como Calçada dos Botões."
Resta-nos a memória desses tempos longínquos que esta lápide assinala, mas de cujo teor apenas algum generoso latinista nos poderá dar conta
Do Ano de Cristo de 1646,
"Uiueret ut pietas Lusitan"

4 comentários:

  1. O que eu aprendo nete blog!Mas o mais interessante é que remete para outros sites e incentiva a outras buscas sobre o que aqui se vê e lê. "Mascato" provavelmento apelido de origem galega, lembrou-me, pela sonoridade, "Mascate" e a Guerra dos Mascates no século XVIII no estado de Pernanbuco entre os senhores do engenho, em Olinda, e os comerciantes portugueses de Recife, chamados depreciativamente : Mascates. Na origem parece, pois, existir a actividade comercial. Curioso, não? Tanto lá como cá.
    Abraços e que outros amantes de Lisboa e destas bizantinices...contribuam com os seus comentários para o enriquecimento deste blog.
    EU

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  2. Creio que enriquecimento cultural é coisa que nem se procura nem deseja, salvo raras e honrosas excepções... se este blog desse enriquecimento mais sonante, isso sim!, que de leitores e comentadores não teria!...
    Reconhecida pelo seu interessante comentário, que mtº me honra, EU... deixa-me até um pouco orgulhosamente só a pensar que ainda há quem, como eu, tanto goste destas bizantinices que recendem cultura :-)...
    Abraço

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  3. Mais um bom post.
    Também gostei do comentário e, claro, da sua resposta.

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  4. Obrigada Manuel.
    Já somos poucos, mas bons!... :-)

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