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segunda-feira, 18 de março de 2024

ANTÓNIO NOBRE

 


D.L.
So neto 2

Em certo Reino, à esquina do Planeta,
Onde nasceram meus Avós, meus Pais,
Há quatro lustros, viu a luz um poeta
Que melhor fora não a ver jamais.

Mal despontava para a vida inquieta,
Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,
À falsa fé, numa traição abjecta,
Como os bandidos nas estradas reais!

E, embora eu seja descendente, um ramo
Dessa árvore de Heróis que, entre perigos
E guerras, se esforçaram pelo Ideal:

Nada me importas, País! seja meu Amo
O Carlos ou o Zé da T'resa... Amigos,
Que desgraça nascer em Portugal!

Coimbra, 1889

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

"O POETA DO "SÓ" "

 

D.L.



"[N. Ponta Delgada, 8.1.1881 ? m. Lisboa, 17.1.1933] Poeta e jornalista. O local de nascimento de Raposo de Oliveira tem dado origem a alguma polémica porque os nordestenses reclamam para aquela vila o seu local de nascimento, por os pais serem naturais de lá, ali terem casado e vivido algum tempo. A própria Câmara Municipal de Nordeste, por volta dos anos 50, mandou descerrar uma lápide na suposta casa onde nascera e deu o nome do poeta à respectiva rua. O facto, é que existe um registo de baptismo do mesmo em Ponta Delgada, na freguesia de S. Pedro, com data de 20 de Maio do mesmo ano, e ali viveu até aos 23 anos de idade. Raposo de Oliveira trabalhou como caixeiro, mas desde cedo revelou apetências literárias, publicando o primeiro livro de versos aos 17 anos. Em 1899, começou a trabalhar como redactor no jornal O Heraldo, para fundar e dirigir em 1902, o semanário A Nova. ..." (ler+)

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O MAIS TRISTE FADO

ACap.

Mas é a voz de António Menano que continua a ouvir-se n' "O mais triste fado", uma letra do distinto poeta do Fado, Fernando Teles, vestida com uma música do mago da guitarra, Armandinho.

domingo, 8 de julho de 2018

TOMAZ COSTA


Ilust.

" Tomás de Figueiredo Araújo Costa nasceu em 1861 na freguesia de S. Tiago de Riba-Ul, concelho de Oliveira de Azeméis. ..." (ler+)



segunda-feira, 24 de abril de 2017

ANTÓNIO SÓ

AMaria

(daqui)

A França!

Vou sobre o Oceano (o luar de lindo enleva!) 
Por este mar de Gloria, em plena paz. 
Terras da Patria somem-se na treva, 
Agoas de Portugal ficam, atraz... 

Onde vou eu? Meu fado onde me leva? 
Antonio, onde vaes tu, doido rapaz? 
Não sei. Mas o vapor, quando se eleva, 
Lembra o meu coração, na ancia em que jaz... 

Ó Luzitania que te vaes á vela! 
Adeus! que eu parto (rezarei por ella...) 
Na minha Nau Catharineta, adeus! 

Paquete, meu paquete, anda ligeiro! 
Sobe depressa á gavea, marinheiro, 
E grita, França! pelo amor de Deus!... 

António Nobre, in 'Só' 

(ler+)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ματαιοτη, παντα ματαιοτη!

D.L.

António Nobre sonhava plantar ervilhas e compor alexandrinos... não sei se terá alcançado o seu sonho de plantar ervilhas, mas certo é que plantou belos sonetos como este

"Vaidade, Tudo Vaidade!"

Vaidade, meu amor, tudo vaidade! 
Ouve: quando eu, um dia, for alguém, 
Tuas amigas ter-te-ão amizade, 
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm. 

Vaidade é o luxo, a glória, a caridade, 
Tudo vaidade! E, se pensares bem, 
Verás, perdoa-me esta crueldade, 
Que é uma vaidade o amor de tua mãe... 

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna 
E eu vi-me só no mar com minha escuna, 
E ninguém me valeu na tempestade! 

Hoje, já voltam com seu ar composto, 
Mas eu, vê lá! eu volto-lhes o rosto... 
E isto em mim não será uma vaidade? 

(António Nobre, in "Só")

D.L.50