Lembrei-me hoje de aqui recordar um
poeta maldito brasileiro, de seu nome
Gregório de Matos, que viveu no séc. XVII, mas cuja obra continua de uma inegável actualidade...
Diz ele assim
Que falta nesta cidade?... Verdade.Que mais por sua desonra?... Honra.Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.O demo a viver se exponha,Por mais que a fama a exalta,Numa cidade onde faltaVerdade, honra, vergonha.Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.Quem causa tal perdição?... Ambição.E no meio desta loucura?... Usura.Notável desaventuraDe um povo néscio e sandeu,Que não sabe que perdeuNegócio, ambição, usura.
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E neste soneto
A cada canto um grande conselheiro.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
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Finalmente
Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
com sua língua ao nobre o vil decepa:
o velhaco maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
quem menos falar pode, mais increpa:
quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
A flor baixa se inculca por Tulipa;
bengala hoje na mão, ontem garlopa:
mais isento se mostra, o que mais chupa.
Para a tropa do trapo vazo a tripa,
e mais não digo, porque a Musa topa
em apa, epa, ipa, opa, upa.
Genial, não?
Upa! Upa!