sexta-feira, 5 de junho de 2009

CINE ROYAL - "Por favor, tirem-me deste filme!"

Na R. da Graça, 100, existe o Pingo Doce mais bem instalado de Lisboa. Pois é!...
Neste espaço, projectado pelo arqº Norte Júnior a mando do seu proprietário Agapito da Serra Fernandes, funcionou o primeiro sonoro da Cidade.
Inaugurado em finais de 1929, dá-se, em 5 de Abril de 1930, a primeira exibição de um filme com som "Sombras Brancas nos Mares do Sul", de Van Dyke, um filme da Metro-Goldwin-Mayer, estreando então o Cine Royal o seu equipamento sonoro com aparelhos da Western Electric; a presença do Presidente da República assinalou a importância do evento.
Creio não andar longe da verdade, ao afirmar que este equipamento (como agora soi dizer-se...) faz parte da História da Cidade. Uma parte que há muito anda perdida, convertida em superfície comercial, sofrendo a degradação própria do que não é, mas como tal é utilizado...
Por certo a beleza da fachada chamará a atenção dos mais curiosos que repararão depois, inscrito no relógio, no nome com que este espaço foi baptizado e perceberão, então, que estão num Cinema, mas a fazer compras...
Nada tendo contra as superfícies comerciais, pergunto
-Será esta a forma de se tratar com dignidade a História da nossa Cidade?!
Agora é que é caso para dizer com toda a propriedade:
-Por favor, tirem-me deste filme!...

8 comentários:

  1. Bravo pelo post. Sempre actualizando assunto,e questão. Os nossos tempos eram muito mais românticos. e as idas ao cinema, era um hino ao amor,e às vezes mais de uma sessão por dia. Mas...os tempos são outros. Um abraço

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  2. De facto, o hábito de ir ao cinema perdeu-se em grande parte. Hoje, a juventude tem outros lugares de culto... menos românticos, creio eu, mas muito mais "curtidos", dizem eles!...

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  3. Como vocês podem ver eu não sou de Lisboa, mas como pessoa apaixonada pelo meu país, adoro tudo de Portugal, história, geografia, arquitectura. O problema desta última é que não existe respeito pelo que foi edificado pelos nossos antepassados, e ainda menos respeito pelos monumentos que têem valor irrelevante e histórico. Ao conhecer este caso, veio-me logo a ideia, aquela hórrivel destruíção do ciné-teatro MONUMENTAL(na praça da saldanha).
    Gostaria que os nossos politicos aprendam dos erros do passado, mas pelos vistos ainda a muito que fazer para mudar as mentalidades.

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  4. Obrigada pelos seus comentários.
    É verdade, ainda há mtº a fazer para mudar as mentalidades! É vulgar dar-se imenso valor a tudo o que é estrangeiro e menosprezar tudo o que é nacional...

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  5. Quando li este texto, lembrei-me do que aconteceu ao Monumental.
    Curiosamente, ao ler os comentários reparei que Fabio também fez essa oportuna referência.
    Admito que na maioria das situações, nomeadamente quando há partilhas entre vários herdeiros, o mais fácil seja vender, deitar a baixo e os novos proprietários estarem só interessados na rentalilização. Não foi assim na Avenida da República?
    No caso do Cine-Royal, ainda mantem a fachada...mas perdeu a dignidade.
    Soluções para casos como este, que têm sido muitos e não só em Lisboa, não as tenho.
    Mas que deveria haver alguma protecção a determinado património, parece ser evidente.

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  6. Muito bom verbete. Desgosta-me dizer isto mas resigno-me a que esteja de pé e tenha serventia.
    Cumpts.

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  7. Refere o Manuel, e muito bem, a questão da herança e das partilhas, ligada à da actual propriedade do imóvel, o que de imediato nos remete para os problemas económicos do Património, existentes por todo o país... Claro que, como o Manuel, não sei nem me compete a mim solucionar estes casos, mas com tantos Institutos e Comissões e Messenas e tal, será que vamos permitir que, de várias maneiras, se continue a apagar a História das cidades? Neste caso, por exemplo- o imóvel deve pertencer a particulares que procuram, claro, o melhor rendimento, até para poderem preservar aquele pedaço de História; mas, essa preservação e manutenção não deveria pertencer agora ao Estado, permitindo que aquele espaço tivesse uma utilização mais digna e adequada ao fim para que foi criado? Por todo o país, a maior parte dos proprietários de "património histórico" têm o grave problema de não terem (€) como o manter, restaurar... embora haja uns programas especiais, mas...
    E, quem anda pelas zonas históricas, bem vê como são poucos os edifícios "recriados"... grande parte está é "ruinado"! Vistas assim as coisas,estou completamente de acordo com o nosso amigo do Bic Laranja- o Cine Royal até tem sorte na sorte que tem - de cara lavada está ele!...
    Já não é mau!...

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  8. Conheço muito bem esse cinema, agora supermercado. Considerada a entrada mais carismática para o Pingo Doce a nível Nacional...

    TiMB

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